Autossabotagem existe? Uma análise pela Terapia Cognitivo-Comportamental - TCC
- Psicóloga Karina Melo

- 4 de mar.
- 4 min de leitura

O que chamamos de autossabotagem?
Você já teve a sensação de estar se sabotando? Talvez tenha procrastinado algo muito importante, desistido quando estava perto de alcançar um objetivo ou até estragado um relacionamento que estava indo bem. Nessas horas, é comum pensar: "Por que eu faço isso comigo?"
A chamada autossabotagem é um termo popular usado para descrever comportamentos em que a própria pessoa parece atrapalhar seus resultados ou repetir padrões que geram sofrimento. Mas, do ponto de vista psicológico, essa explicação pode ser simplista demais — e entender o que realmente está acontecendo é o primeiro passo para mudar.
O que chamamos de autossabotagem?
Autossabotagem não é um transtorno psicológico e não aparece como diagnóstico nos manuais psiquiátricos. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), esses comportamentos são compreendidos de outra maneira. Em vez de enxergá-los como um desejo inconsciente de fracassar, a TCC entende que muitas dessas atitudes são, na verdade, tentativas de evitar dor emocional.
Para a Terapia Cognitivo-Comportamental, essa questão vai muito além de um simples "desejo de fracassar". O que parece autossabotagem, na maioria das vezes, é uma estratégia que a mente desenvolveu para se proteger — mesmo que essa estratégia esteja causando mais prejuízo do que bem.

Como a TCC compreende esses comportamentos
De acordo com o modelo cognitivo desenvolvido por Aaron T. Beck, não reagimos diretamente às situações, mas à interpretação que fazemos delas. Ou seja, o que pensamos influencia como nos sentimos e como agimos.
Imagine que alguém receba uma oportunidade de promoção no trabalho. Em vez de comemorar, surge o pensamento: "Eu não vou dar conta." Esse pensamento pode gerar ansiedade, insegurança e medo de fracassar. Para aliviar esse desconforto, a pessoa pode procrastinar, encontrar desculpas ou até recusar a oportunidade.
À primeira vista, parece autossabotagem. Mas, olhando mais de perto, o comportamento tinha um objetivo claro: evitar a possibilidade de falhar ou se sentir inadequado.
A psicóloga Judith S. Beck explica que esses padrões são mantidos porque, no curto prazo, reduzem a ansiedade. O problema é que, no longo prazo, reforçam o medo e limitam o crescimento.
Quais crenças estão por trás da autossabotagem?
Muitas vezes, por trás do que chamamos de autossabotagem existem crenças profundas sobre si mesmo, formadas ao longo da vida de maneira quase automática. As mais comuns são:
"Não sou bom o suficiente"
"Vou ser rejeitado se me expuser"
"Não mereço coisas boas"
"Se eu tentar e falhar, vai ser muito pior do que nem tentar"
Essas crenças acabam influenciando decisões de maneira silenciosa e automática. Outro fator importante é a tentativa de evitar emoções desconfortáveis. Muitas vezes, o comportamento que chamamos de autossabotagem é, na verdade, uma forma de fugir da ansiedade, da frustração ou da vulnerabilidade.
O alívio é imediato — mas temporário. E cada vez que evitamos, fortalecemos a ideia de que não somos capazes de enfrentar aquela situação.
Como parar de se sabotar? O que a TCC propõe

A mudança começa com consciência. A Terapia Cognitivo-Comportamental oferece um caminho estruturado para isso:
Identifique o padrão — Em que situações ele aparece? Existe algum gatilho recorrente?
Observe os pensamentos automáticos — O que você pensa logo antes de agir de forma que te prejudica?
Questione as evidências — "Isso é um fato ou uma interpretação?" / "Estou imaginando o pior cenário possível?"
Dê pequenos passos comportamentais — Ação gradual, mesmo sentindo medo, ajuda o cérebro a aprender que é possível lidar com o desconforto.
Tolere o desconforto — Crescimento quase sempre envolve alguma ansiedade. Aprender a tolerá-la é parte fundamental do processo.
Cada pequeno passo dado enfraquecer as interpretações distorcidas e constrói uma nova experiência emocional — a de que você é capaz.
Quando buscar ajuda de uma psicóloga?
Se você percebe esses padrões com frequência e sente dificuldade de mudá-los sozinho(a), a psicoterapia pode ser um caminho importante. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos juntos para identificar os pensamentos e crenças que mantêm esses ciclos — e construir formas mais saudáveis e conscientes de agir.
No fim das contas, o que chamamos de autossabotagem raramente é um desejo de fracassar. Geralmente é uma estratégia antiga de proteção emocional que já não faz sentido na vida atual. A boa notícia é que padrões aprendidos podem ser modificados. Com autoconhecimento e ajuda profissional, é possível interromper esse ciclo.
Ofereço atendimento online para todo o Brasil. Se você quer entender melhor esses padrões e trabalhar para mudá-los, entre em contato e agende uma conversa.
Perguntas frequentes sobre autossabotagem
Autossabotagem é um transtorno mental? Não. Autossabotagem não é um diagnóstico psiquiátrico. É um termo popular que descreve padrões de comportamento que podem ser compreendidos e trabalhados na psicoterapia.
Como identificar se estou me sabotando? Fique atento a comportamentos repetitivos que te afastam de seus objetivos — como procrastinação constante, desistência quando está perto do sucesso ou dificuldade em manter relacionamentos saudáveis.
A TCC pode ajudar a superar esses padrões? Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens com maior evidência científica para identificar e modificar crenças e comportamentos que geram sofrimento.
Quanto tempo leva para mudar esses padrões? Depende de cada pessoa e da profundidade das crenças envolvidas. Mas com consistência e acompanhamento profissional, mudanças significativas são possíveis — e muitas vezes surgem antes do que se espera.

Escrito por Karina Santos de Melo — Psicóloga | CRP 36352-05 | Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental | Atendimento online para todo o Brasil



