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Autossabotagem existe? Uma análise pela Terapia Cognitivo-Comportamental

Karina Melo · CRP 36352-0514 de julho de 2026 7 min de leitura
Autossabotagem existe? Uma análise pela Terapia Cognitivo-Comportamental

Você já procrastinou algo muito importante, desistiu quando estava perto de alcançar um objetivo ou afastou alguém que era bom para você? Nessas horas, é comum pensar: “Por que eu faço isso comigo?”

Autossabotagem é um diagnóstico?

Não. O termo não aparece nos manuais psiquiátricos. Na TCC, esses comportamentos são compreendidos como tentativas de evitar dor emocional — uma estratégia que a mente desenvolveu para se proteger, mesmo causando mais prejuízo do que bem.

Como a TCC compreende esse padrão

Segundo o modelo cognitivo de Aaron T. Beck, não reagimos diretamente às situações, mas à interpretação que fazemos delas. Alguém recebe uma promoção e surge o pensamento “eu não vou dar conta” — vem a ansiedade e, para aliviar, a pessoa procrastina ou recusa a oportunidade. De fora parece autossabotagem; por dentro, era proteção contra a dor de falhar.

Judith S. Beck explica que esses padrões se mantêm porque, no curto prazo, reduzem a ansiedade — mas no longo prazo reforçam o medo e limitam o crescimento.

As crenças por trás do padrão

  • “Não sou bom o suficiente.”
  • “Vou ser rejeitado se me expuser.”
  • “Não mereço coisas boas.”
  • “Se eu tentar e falhar, vai ser pior do que nem tentar.”

Como começar a mudar

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  • Identifique o padrão e seus gatilhos recorrentes.
  • Observe os pensamentos automáticos que aparecem antes da ação.
  • Questione as evidências: isso é fato ou interpretação?
  • Dê pequenos passos comportamentais, mesmo sentindo medo.
  • Treine tolerar o desconforto: crescer quase sempre envolve alguma ansiedade.
Você não está quebrado. Você só nunca aprendeu a funcionar do jeito certo para a sua mente.

Perguntas frequentes

Autossabotagem é um transtorno mental?

Não. É um termo popular que descreve padrões de comportamento que podem ser compreendidos e trabalhados na psicoterapia.

Como identificar se estou me sabotando?

Observe comportamentos repetitivos que te afastam dos seus objetivos: procrastinação constante, desistência perto do sucesso, dificuldade em manter relacionamentos saudáveis.

Quanto tempo leva para mudar esses padrões?

Depende de cada pessoa e da profundidade das crenças envolvidas. Com consistência e acompanhamento profissional, mudanças significativas são possíveis.

Karina Melo · CRP 36352-05

Psicóloga clínica com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especializada em TDAH e Autismo em adultos. Atendimento 100% online para todo o Brasil.

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