Autossabotagem existe? Uma análise pela Terapia Cognitivo-Comportamental

Você já procrastinou algo muito importante, desistiu quando estava perto de alcançar um objetivo ou afastou alguém que era bom para você? Nessas horas, é comum pensar: “Por que eu faço isso comigo?”
Autossabotagem é um diagnóstico?
Não. O termo não aparece nos manuais psiquiátricos. Na TCC, esses comportamentos são compreendidos como tentativas de evitar dor emocional — uma estratégia que a mente desenvolveu para se proteger, mesmo causando mais prejuízo do que bem.
Como a TCC compreende esse padrão
Segundo o modelo cognitivo de Aaron T. Beck, não reagimos diretamente às situações, mas à interpretação que fazemos delas. Alguém recebe uma promoção e surge o pensamento “eu não vou dar conta” — vem a ansiedade e, para aliviar, a pessoa procrastina ou recusa a oportunidade. De fora parece autossabotagem; por dentro, era proteção contra a dor de falhar.
Judith S. Beck explica que esses padrões se mantêm porque, no curto prazo, reduzem a ansiedade — mas no longo prazo reforçam o medo e limitam o crescimento.
As crenças por trás do padrão
- “Não sou bom o suficiente.”
- “Vou ser rejeitado se me expuser.”
- “Não mereço coisas boas.”
- “Se eu tentar e falhar, vai ser pior do que nem tentar.”
Como começar a mudar
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Agendar pelo WhatsApp- Identifique o padrão e seus gatilhos recorrentes.
- Observe os pensamentos automáticos que aparecem antes da ação.
- Questione as evidências: isso é fato ou interpretação?
- Dê pequenos passos comportamentais, mesmo sentindo medo.
- Treine tolerar o desconforto: crescer quase sempre envolve alguma ansiedade.
Você não está quebrado. Você só nunca aprendeu a funcionar do jeito certo para a sua mente.
Perguntas frequentes
Autossabotagem é um transtorno mental?
Não. É um termo popular que descreve padrões de comportamento que podem ser compreendidos e trabalhados na psicoterapia.
Como identificar se estou me sabotando?
Observe comportamentos repetitivos que te afastam dos seus objetivos: procrastinação constante, desistência perto do sucesso, dificuldade em manter relacionamentos saudáveis.
Quanto tempo leva para mudar esses padrões?
Depende de cada pessoa e da profundidade das crenças envolvidas. Com consistência e acompanhamento profissional, mudanças significativas são possíveis.

Karina Melo · CRP 36352-05
Psicóloga clínica com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especializada em TDAH e Autismo em adultos. Atendimento 100% online para todo o Brasil.