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TDAH nas redes sociais: o reconhecimento e os riscos da autoidentificação viral

Karina Melo · CRP 36352-0504 de agosto de 2026 8 min de leitura
TDAH nas redes sociais: o reconhecimento e os riscos da autoidentificação viral

Em algum momento dos últimos meses, você provavelmente parou em um vídeo que começava assim: “5 sinais de que você pode ter TDAH e nunca soube.” Talvez tenha se reconhecido em três, quatro, todos — com uma mistura de alívio (“então tem nome”) e inquietação (“será que sou eu?”).

Reconhecer-se em um vídeo é o começo de uma pergunta — não a resposta dela.

Como o TDAH virou pauta digital

Um estudo da University of East Anglia, publicado em 2026, analisou mais de 5 mil postagens sobre TDAH, ansiedade, autismo e depressão. Em algumas amostras, até 56% dos conteúdos continham informações imprecisas ou sem base científica — enquanto hashtags ligadas ao TDAH somam bilhões de visualizações.

A face luminosa: o reconhecimento que antes não existia

Por muito tempo, conviver com sintomas de TDAH foi uma experiência silenciosa e culpabilizada. Adultos hoje na faixa dos 30, 40, 50 anos cresceram ouvindo “você é desligada”, “falta foco”, “se esforçasse mais, conseguia”.

  • Diminuição da autocrítica internalizada.
  • Sensação genuína de pertencimento.
  • Procura mais frequente por avaliação profissional.
  • Vocabulário novo para sentimentos antigos.
  • Permissão interna para buscar ajuda.

A face sombria: quando o sofrimento vira tendência

O algoritmo não está aí para cuidar de ninguém — está aí para reter atenção.

Tudo começa a parecer TDAH

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Esquecer as chaves, adiar tarefa chata ou se distrair em reunião viram “sinais de alerta”. O TDAH, porém, é caracterizado por sintomas persistentes desde a infância, intensos e com prejuízo funcional significativo em pelo menos duas áreas da vida.

A estetização do transtorno

O TDAH aparece embalado como “mente criativa” ou “superpoder neurodivergente”, enquanto fica invisível o que é clinicamente difícil: exaustão crônica, vergonha acumulada, relacionamentos desgastados, crises de regulação emocional e baixa autoestima persistente. Romantizar o TDAH não é o mesmo que acolher quem tem TDAH.

Quando o rótulo vira identidade central

Há diferença entre “eu tenho TDAH” (uma característica) e “eu sou TDAH” (identidade que organiza a vida toda). No segundo caso, é comum justificar comportamentos sem buscar mudança, abandonar estratégias antes de experimentá-las e evitar a terapia.

O diagnóstico é uma chave que abre portas — não uma cela que define quem você é.

O atraso que ninguém vê

Muita gente passa anos convencida de ter TDAH quando, na verdade, convive com outra condição: ansiedade, depressão, transtornos do sono, burnout crônico, alterações hormonais, TEA ou traumas não elaborados.

Se conteúdos sobre TDAH têm te tocado profundamente, talvez seja o momento de transformar reconhecimento em cuidado profissional.

Karina Melo · CRP 36352-05

Psicóloga clínica com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especializada em TDAH e Autismo em adultos. Atendimento 100% online para todo o Brasil.

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